SINOPSE
O poema insone está a passar
na sombra o limite e a escorrer
derrama-se invisível no luar
em busca do sol ao anoitecer.

Como madre-manto a esmaecer
a lenta sensação da madrugada
virá num leve afago desfazer
a luz que restará antes do nada.

Nada, o meu-enfim, a escalada,
o meu não-sei-pra-onde e ninguém sabe,
o meu definitivo só, só meu...

O nada supremo, a mão fechada
que ao abrir-se para a eternidade
me libertará de tudo que sou eu.

Som = Ernesto Cortázar em «Solitude»